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Alguns dos crimes de Mário Soares: traição, instigação ao genocídio, corrupção, roubo, tráfico, enriquecimento ilícito.

OS CRIMES:
ALTA TRAIÇÃO;
INSTIGAÇÃO AO “GENOCÍDIO”DOS PORTUGUESES BRANCOS EM ANGOLA;
CORRUPÇÃO; VENDA E DESTRUIÇÃO DO PATRIMÓNIO DE PORTUGAL; CONTRABANDO E LAVAGEM DE DINHEIRO SANGUE /CIA;
OFERTA DOS TERRITÓRIOS DE PORTUGAL PELA OBTENÇÃO DE LUCROS;
ROUBO E TRÁFICO DAS RIQUEZAS DE ANGOLA “DIAMANTES E MARFIM”;
PREVARICAÇÃO; ABUSO DO PODER; DESFALQUE DOS COFRES DO ESTADO;
ENRIQUECIMENTO ILÍCITO:

Foto: Direita Politica

Mário Soares – Do “Mito” à Realidade:

Mário Soares, «imposto» ao PS pelo seu secretário-geral e proclamado pelo partido como seu representante efectivo e único no certame eleitoral de Janeiro, próximo, com largas semanas ou meses de antecedência em relação à sua declaração formal de que pretendia ou aceitava candidatar-se, depois de uma «mise-en-sene» ridiculamente empolada e prolongada, com a qual pretendeu, infantilmente – porque aos oitenta começa o inelutável regresso do adulto à «segunda meninice» iludir os portugueses, fazendo-lhes crer que só ao cabo de longas meditações, dolorosas dúvidas e inúmeras consultas tomaria (ou não) a «heróica decisão» de oferecer o corpo alquebrado e a alma inquieta à imolação final no altar da Pátria – que ninguém prejudicou e traiu tantas vezes como ele;

Mário Soares, o maior impostor político, talvez nado e criado em Portugal, quase sempre a saque de barões, burgueses, militares, salteadores e governantes; Mário Soares, «o português que mais ganhou com a revolução de Abril», na opinião expressa por Rumsfeld, Secretário de Defesa dos Estados Unidos, e também, no campo político, admito eu, antes e depois do golpe; Mário Soares, que é, acima de tudo, o «fenómeno teratológico» de duas grandes frustrações: a de não ter conseguido Oliveira Salazar se dignasse ter-lhe mandar-lhe dizer por um contínuo que já dera pela sua existência mas nem olhara para a sua cara, e (a segunda, algo semelhante à primeira), quando o outro ídolo da época, Álvaro Cunhal, o tratou coma mesma indiferença e desprezo, recusando-lhe um lugar de destaque na sua organização, não obstante o «menino-prodígio se haver inscrito nela».

Mário Soares, que toda a vida sonhou com a glória de participar na destituição do «tirano de Santa Comba», ou na sua eliminação física, mas deixou-o fugir-lhe das mãos (das dele e dos demais comparsas, tão canhestros como ele) para um sítio onde nunca poderão alcançá-lo, a terceira grande frustração, geradora de novos ódios, rancores «perseguições, agora contra tudo o que «o outro» amara, prestigiara e engrandecera, especialmente a Pátria; Mário Soares, porventura o político português que mais amigos e camaradas traiu, como único e ruim propósito de conquistar para si próprio os lugares e os poderes que almejava, como aconteceu com Salgado Zenha, Sousa Tavares, Rui Mateus e, agora mesmo, Manuel Alegre a quem interesse mais detalhada lista das vítimas da insaciável avidez política do ex-PR, recomendamos a leitura de «Acuso» e «Contos Proibidos», respectivamente, de Henrique Cerqueira e Rui Mateus.

Apenas como lamiré, ou como aperitivo, transcrevemos, do primeiro as seguintes frases: «Á carreira política do sr. Soares esta cheia de sacanices» e «o comportamento daquela polícia (a PIDE, de má memória, obviamente, esclarece o autor) é, apesar de tudo, bem mais decente que o dele», (pag. 197 e 198, «Editorial Intervenção»). E basta de citações. Que fique só o cheirinho… a enfim e em suma, a merda de gato mal tapada. Mário Soares, enfim e em suma, para encurtar razões, que tem a «coragem» de se apresentar ao País, numa cerimónia participada por algumas centenas de convidados especiais e de uma fidelidade a toda a prova (só os microfones, que por duas ou três vezes se negaram a transmitir a voz do «festejado», é que não.

Não andará por ali sabotagem ou cabala?), como o «candidato da união nacional e o futuro «Presidente de todos os portugueses», será capaz de imaginar a enormidade das distâncias que o PS e ele próprio cavaram e continuam a cavar, todos os dias, entre os que tiverem a dita ou a desgraça de nascer e viver neste pais?

Alfredo Farinha, Jornalista.
Do Jornal, O DIABO – 13 de Dezembro de 2005.
Oswald Le Winter, ex-agente da CIA na Europa, garante a “O DIABO”.

MÁRIO SOARES DESEJOU QUE OS PORTUGUESES DO ULTRAMAR FOSSEM ATIRADOS AOS TUBARÕES

Liquidação moral de um homem é o menos que se poderá dizer do documento que publicamos na página 17 deste edição de A RUA.

Trata-se de uma crónica vinda a lume em um dos mais categorizados jornais brasileiros, “O Estado de S. Paulo”, de autoria do seu correspondente em Lisboa, Santana Mota, na qual se revela que em 1973, durante uma visita ao Brasil, Mário Soares afirmou publicamente haver só uma solução para o destino dos portugueses brancos ultramarinos: — atirá-los aos tubarões.

Custa a crer, mesmo conhecendo-se, como se conhece, o baixo estofo e a aterradora falta de escrúpulos que caracterizam o secretário geral do PS… Custa a crer — mas ainda mais difícil é supor que um jornalista com a probidade de Santana Mota e um jornal com o prestígio de “O Estado de S. Paulo” façam semelhante revelação sem a terem devidamente fundamentada.

Daí, e até prova em contrário, chegamos à conclusão de que o nome de Mário Soares pode e deve estar à frente na lista dos Costa Gomes, dos Cunhais, dos Otelos, dos Gonçalves, dos Crespos, dos Rosas Coutinhos e de toda esta galeria de criminosos, duplamente réus pela traição que cometeram contra a Pátria e pela sangueira e desgraça em que lançaram centenas de milhar de portugueses.

Se não é verdade, Mário Soares que o prove.

Se é verdade, que o País se liberte sem demora da vergonha de ter um como Primeiro Ministro alguém que parece ser, afinal, apenas um sádico. Um sádico sem a menor réstea de humanitarismo ou de vergonha.

IN– A RUA– 2-6 -77

MÁRIO SOARES, CONTRABANDO E LAVAGEM DE DINHEIRO DA CIA,

PARA COMPRAR O PODER:

Essa mesma CIA que contrata e compra a pior escória de canalhas que vegetam pelo mundo, que fazem do crime uma forma de estar na vida, facilitando o trabalho sujo da CIA e o contrabando e lavagem do dinheiro sangue.
Essa mesma CIA (para a qual a Declaração dos Direitos Humanos são meramente formalista, estática e monocultural) que tortura, mata, e retalha os corpos das suas vítimas para as fazer desaparecer, muitas delas inocentes dos crimes que “ardilosamente” lhes são imputados.

A mesma CIA que conivente com Eleanor Roosevelt, mulher de Franklin Roosevelt “o paralítico de Yalta”, pagou em dólares a Holden Roberto os massacres de 15 de Março de 1961 no norte de Angola, massacres esses, telecomandados dos EUA.

A mesma CIA que tudo indica estar por detrás do atentado ao avião Cessna que vitimou o Primeiro Ministro, Francisco Sá Carneiro, a sua mulher Snu Abecassis, o ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa, António Patrício Gouveia chefe de gabinete do primeiro-ministro, e os dois pilotos do aparelho, na noite de 4 de Dezembro de 1980, quando viajavam de Lisboa para o Porto a fim de participarem num comício, estavam a bordo do aparelho e tiveram morte imediata.

(Francisco Sá Carneiro era adverso à ingerência de Frank Carlucci na política e soberania de Portugal, e recusava enfeudamento aos EUA).

A mesma CIA que tem espalhado o terror e a morte pelo mundo, que fabricou o Al-Qaeda e seus sanguinários assassinos, e nos tempos mais recentes CIA-Mossad fabricaram o ISIS e seus sanguinários assassinos.

Foi um dos piores carrascos da diplomacia dos EUA, acusado de ter cometido Crimes de Guerra durante sua longa estadia no governo; como dar luz verde para a invasão por parte da Indonésia a Timor (1975) , facilitar os crimes comunistas a sul de Africa, golpes de estado no Chile e no Uruguai (1973), e acusado de usar por diversas vezes de uma política tortuosa, em que parecia jogar com um “pau de dois bicos”;

Veja Christopher Hitchens no livro “The Trial of Henry Kissinger”, e o analista Daniel Ellsberg, no livro “Secrets”. Apesar de essas alegações ainda não terem sido provadas em uma corte de Justiça, (enquanto a humanidade aguarda por essa Corte de Justiça) considera-se perigoso para Kissinger entrar em diversos países da Europa e da América do Sul.

MÁRIO SOARES CONTRABANDO DE DINHEIRO SANGUE/CIA:

Na VPRO, uma emissora de televisão holandesa, a 12 de Maio de 2013 passou uma reportagem onde desenha o tráfico desse dinheiro para Mário Soares, com origem na CIA, e na Máfia da China sobre Macau.
A VPRO é uma Emissora holandesa, com alto nível de audiência, foi Fundada a 29 de Maio de 1926. Liberal-protestante (originalmente), é um portador pioneiro, inovador, de uma forma muito pessoal, de programas liberais. Com uma vasta equipa de competentes profissionais.

Andere Tijden o responsável pelo documentário na VPRO, enviou um repórter a Lisboa para entrevistar o homem que recebeu dinheiro negro, ilegal, Mário Soares, para comprar o poder, à pergunta do repórter sobre esse contrabando de dinheiro, respondeu: “se agora querem dizer que era dinheiro ilegal, que digam o que quiserem”.

(Agora, tal como Ontem, os criminosos e seus actos crime têm a mesma qualificação, e têm o mesmo significado).

A transmissão da VPRO avivou memórias, e informou a nova geração sobre esta associação de malfeitores CIA/Mário Soares no crime de contrabando de dinheiro, envolvendo políticos da Alemanha “Willy Brandt”, e “Harry Jacob van den Bergh” da Holanda que abandeou-se a esta gente de má nota.

O Povo Holandês na sua soberania é absoluto, os seus políticos devem-lhe “credibilidade, honestidade, transparência, lealdade, eficiência, o respeito à dignidade, à Nação, e a obediência e respeito às Leis” dentro destes valores, não perdoam traidores porque “os assuntos do Estado é o povo, e o povo é o Estado”, razão pelas quais este crime do contrabando de dinheiro sangue/CIA para o corrupto Mário Soares fez clamor na Holanda onde ele é considerado “Persona Non Grata”, em país evoluído onde o civismo e o respeito são “leis” e a soberania do povo é “um facto” e, a honra da Nação como a integridade das suas instituições estão acima de tudo, estes crimes não prescrevem, e existem alguns ex-políticos do PvdA que para limparem a sua honra estão prontos a testemunharem. Dentro destes valores e, mais uma vez, a reacção nos países do norte da Europa contra este crime, em especial na Holanda, não se fez esperar na Imprensa, no Facebook, Sites, Blogs, etc… onde os holandeses não pouparam fortes críticas, dando origem a uma nova campanha contra esses ex-políticos do PvdA.

No ano 1975, Harry Jacob van den Bergh o correio do dinheiro sangue/CIA, fazia parte do grupo parlamentar do PvdA, quando este crime se tornou público e o escândalo rebentou, ele foi obrigado a abandonar o Parlamento, após pedido de desculpas ao Parlamento e ao povo holandês, porque ele havia caído em descrédito, e foi titulado pelos holandeses de “Oud-PvdA-Gangster-politicus”, “Velho-PvdA-Gangster-Político”, e o PvdA (Partido Trabalhista, da Esquerda) holandês, foi estigmatizado, por ter tido entre os seus homens quem se prestasse a colaborar com este crime de contrabando da CIA para o corrupto português Mário Soares.

De entre a muita informação que correu nos meios radiofónicos, televisivos e nas publicações periódicas da Holanda como TELEGRAAF BINNENLAND; DE VOLKSKRANT entre os jornais mais importantes, e muitos outros jornais Holandeses sobre este crime, descrevem-no assim:

CONTRABANDO DE DINHEIRO CIA E O PORTUGUÊS MARIO SOARES

“Harry van den Bergh no contrabando de dinheiro da CIA para português camarada comprar o poder, a caridade pode encontrar simpatizantes estrangeiros. E Van den Bergh foi o correio deste trabalho perigoso, sujo e ilegal”. O ex-político trabalhista Harry J. van den Bergh com “desconhecimento” em 1975 foi agente da CIA para contrabandear dinheiro ilegal para Mario Soares. A esquerda gosta de dinheiro, de preferência dinheiro de sangue e da trituração.

Harry van den Bergh era secretário internacional do Partido Trabalhista (PvdA). Através de um colaborador próximo de Willy Brandt, foi abordado para acção de apoio. Ele “pensou” que foi contratado por Willy Brandt, líder do SPD alemão, mas na realidade, o dinheiro veio de os EUA. Van den Bergh encontra o programador e ouve supostamente a primeiro intromissão norte-americana, “Eu já sei onde você quer ir. “Ele courier, Kissinger. Ele “agente” da CIA. Essa mesma CIA que um ano antes, derrubou, e alguns anos depois matou, o socialista/marxista chileno Salvador Allende.

Willy Brandt não devia permanecer no serviço de bordo. É uma tarefa perigosa e ilegal e criminosa, que é contrária à Lei Internacional. Mas para a caridade pode encontrar um gangster-estrangeiro disposto a tudo, e Van den Bergh do PvdA foi o mensageiro preparado. Colocou o dinheiro cerca de quatro milhões de dólares em uma subsidiária do Banco Holandês, em Amsterdam, na qual «por quatro ou seis vezes» levantava as notas, transportando esse dinheiro, clandestinamente, nas «viagens» realizadas para o efeito a Lisboa, sendo esperado no aeroporto e encaminhado para o Hotel Ritz onde fazia a entrega das maletas com o dinheiro.

Harry Jacob van den Bergh antes do primeiro voo para Portugal pede segurança ao primeiro-ministro holandês, Joop den Uyl, e ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Max van der Stoel, genuinamente informado. Joop den Uyl e Max van der Stoel, ambos do PvdA, tranquilizaram-no, mas oficialmente, não sabem nada, é claro. Esse envolvimento é contrário à lei Internacional. Até mesmo para um diplomático é um estatuto criminal por correio de dinheiro ilegal.

Arthur Hartmann (secretário de Estado adjunto para os Assuntos Europeus e Canadenses) então secretário de Estado de Henry Kissinger divulgou que o dinheiro era da CIA:

Harry Jacob van den Bergh na entrevista à VPRO, a 12 de Maio de 2013, sobre a divulgação de Arthur Hartman, respondeu: “Se era dinheiro da CIA, no momento desconhecia a sua proveniência, se algumas pessoas pensam agora que eu era um agente da CIA, não é o caso.”

Na realidade, ele sabia exactamente de onde veio o dinheiro sangue, mas não se atreve a denunciar, sob pena de estatuto diplomático criminal por correio de contrabando de dinheiro ilegal; sob pena de perda de subsídio, e perda de concessão da actividade que desempenha.”

“LIGAÇÕES PERIGOSAS” DE MÁRIO E JOÃO SOARES;

«Um boelo» [burro, em kimbundo]. No qual Mário Soares é injuriado: «É mesmo um boelo esse bochechas. Nem vergonha tem naquela kalanga [cara] por tão grandes desavergonhices que estampam o seu mau carácter e maldade». Ainda no Jornal de Angola o escritor angolano António Francisco Adão Cortez ( Chicoadão ), referiu-se a João Soares, como «um gatuno comprovado das riquezas de Angola». O ministro angolano da Comunicação Social, Hendrick Vaal Neto, que acusou Mário Soares e seu filho João (na altura presidente da Câmara de Lisboa) de «beneficiarem do tráfico de diamantes».

A UNITA chamou «criminosos de guerra» a Almeida Santos, António Guterres, Jaime Gama e Durão Barroso. “A amizade e a admiração que durante muitos anos aproximaram os Soares, pai e filho, de Jonas Savimbi, estão na origem de vários episódios que ensombraram as relações entre Angola e Portugal. Lisboa – A guerra de palavras que por vezes se verificou entre Angola e Portugal teve em Mário Soares e no seu filho João Soares dois destacados protagonistas. O folhetim teve início logo em 1975, na data da independência, pois Mário Soares, então ministro dos Negócios Estrangeiros do VI Governo Provisório, seria considerado co-responsável pelo regresso a Lisboa de um avião que levava a bordo uma representação (não oficial) portuguesa.

Tal avião foi impedido de atingir Luanda, sob pretexto de que a capital angolana estava debaixo de fogo e não havia condições para aterrar, o que se provou ser uma falsidade. Recordando mais tarde, numa entrevista ao Diário de Lisboa, o clima que então se vivia nas altas esferas lisboetas, Álvaro Cunhal afirmou que, durante uma reunião do Conselho de Ministros em que participavam os líderes dos principais partidos e a Comissão de Descolonização, esta – constituída por militares do MFA – «propôs o reconhecimento, no dia 11, do Governo que se formasse em Luanda. Mas Sá Carneiro e Soares opuseram-se energicamente a tal solução. Entravam e saíam da sala. Interrompiam a reunião para “informarem” que as tropas sul-africanas pelo Sul, e da FLNA, pelo Norte, estariam em Luanda dentro de poucas horas. Diziam que Luanda estava já a ser bombardeada». E Cunhal concluiu: «Com toda a evidência, Mário Soares e Sá Carneiro jogaram, nesse momento, em cheio na invasão de Angola».

A cerimónia da independência foi assim privada da presença de representantes portugueses, mas o Presidente Agostinho Neto soube interpretar devidamente essa ausência, dirigindo uma mensagem de amizade e de solidariedade ao povo português e às suas forças progressistas. Em Janeiro de 1976, encontrando-se de visita aos EUA, onde foi recebido pelo secretário de Estado Henry Kissinger, Mário Soares proferiu uma conferência na Universidade de Yale, defendendo para Angola uma solução negociada entre os três movimentos e desmentindo que Lisboa venha a reconhecer o Governo do MPLA. A realidade, porém, encarregar-se-ia de o desmentir logo no mês seguinte. Anos depois (em 1984), Mário Soares encontrar-se-ia em Washington com Alexander Haig, ex-secretário de Estado de Ronald Reagan, depois deste se ter avistado com Savimbi. Tal coincidência foi interpretada pela ANGOP como «uma cruzada de submissão aos mais altos interesses de Washington».

A partir de 1986, entra na liça João Soares, que na qualidade de proprietário da editora Perspectivas & Realidades foi abordado pelo dirigente da UNITA, Alcides Sakala, para a publicação de um livro com poemas de Savimbi. Na sequência deste contacto, João Soares desloca-se à Jamba, perante os protestos da Embaixada de Angola em Lisboa. Após a visita, João Soares elogia Savimbi: «É um grande líder político contemporâneo na África de hoje». No ano seguinte, a pretexto de interceder pela libertação de dois cooperantes suecos que a UNITA fizera reféns, João Soares volta ao quartel-general da UNITA, na Jamba. E quando, em 1988, o Governo português recusa a Savimbi o visto para entrar em Portugal, João Soares concede uma entrevista ao semanário Expresso, em que afirma: «O MPLA não é o Governo legítimo de Angola».

Entretanto, no Palácio de Belém, Mário Soares, na qualidade de Presidente da República, agracia com a Ordem do Infante Dom Henrique o empresário Horácio Roque, cuja mulher, Fátima Roque, acompanha Savimbi num périplo por vários países. O ano de 1989 é marcado pelo acidente aéreo de que em Setembro são vítimas, na Jamba, João Soares e outros deputados (Rui Gomes da Silva, do PSD, e Nogueira de Brito, do CDS), que tinham ido assistir ao Congresso da UNITA. O Cessna em que voavam para a Namíbia caiu, segundo alguns, por excesso de carga no tráfico de marfim, o que foi negado pelo respectivo piloto. João Soares ficou ferido e convalesceu em Pretória, em casa do casal Horácio e Fátima Roque. Um mês depois do acidente, por ocasião de uma visita oficial a França, Mário Soares recebeu Savimbi em Paris, acto que constituiu a primeira audiência de um Chefe de Estado português ao líder da UNITA, desde os Acordos de Alvor em 1975.

Em resposta às críticas que a propósito lhe foram formuladas, declarou: «Savimbi não tem peste e recebi-o como um cidadão do mundo que fala com toda a gente com quem tem de falar». Mário Soares voltaria a receber Savimbi quando o líder da UNITA se deslocou a Portugal em Janeiro de 1990, sendo igualmente recebido por Cavaco Silva. Mas, enquanto Soares o recebeu no Palácio de Belém, na qualidade de Presidente da República, Cavaco Silva não o fez como primeiro-ministro, em virtude de que recebeu o líder da UNITA na sede do PSD, como líder do partido, estando na altura acompanhado por Durão Barroso, também este não na qualidade de ministro dos Estrangeiros mas como membro da comissão política nacional do PSD. Em 1992, João Soares demarca-se pela primeira vez de Savimbi, ao certificar-se de que este mandara fuzilar os dirigentes da UNITA Tito Chingondji e Wilson dos Santos.

Por seu turno, Savimbi mostra-se desagradado com Cavaco Silva e Durão Barroso e declara que, se ganhar as eleições (realizadas em Setembro desse ano) o seu único interlocutor em Portugal será o Presidente Mário Soares. No ano seguinte, Mário Soares recebe uma delegação da UNITA, chefiada pelo general Ben-Ben. O MNE angolano, Venâncio de Moura, pede explicações.

Na ocasião, o oficioso Jornal de Angola publica um artigo intitulado «Um boelo» [burro, em kimbundo], no qual Mário Soares é injuriado: «É mesmo um boelo esse bochechas. Nem vergonha tem naquela kalanga [cara] por tão grandes desavergonhices que estampam o seu mau caratismo e maldade». Encontro falhado em Maputo. A posse de Joaquim Chissano como Presidente de Moçambique, em 1994, dá ensejo a que Mário Soares e José Eduardo dos Santos se encontrem circunstancialmente em Maputo. Mas o Presidente angolano só teve tempo para uma audiência com Durão Barroso, falando exclusivamente com este sobre a situação angolana.

No mesmo ano, o embaixador angolano, Ruy Mingas, a propósito de uma carta dirigida a José Eduardo dos Santos por Mário Soares, acusou este de «interferências incorrectas e abusivas» que teriam comprometido a presença de Angola na Cimeira Lusófona.

O Governo português foi então alvo de críticas por ter reagido de forma discreta. Durão Barroso protestou junto do seu homólogo angolano, mas recusou-se a fazer qualquer desagravo público. De visita às Seychelles, em 1995, Mário Soares, em conversa descontraída com os jornalistas, após o jantar, falou de Angola (que visitaria oficialmente no ano seguinte) e sobre os líderes em confronto, emitindo esta opinião: «José Eduardo dos Santos é um homem banal. Não provoca a ninguém um virar de pescoço quando entra numa sala. Jonas Savimbi tem uma presença esmagadora. É um verdadeiro líder africano». Não obstante estas afirmações, Mário Soares soube ser diplomata na visita oficial que realizou a Angola em 1996, pois embora tenha recebido em Luanda uma representação da UNITA, recusou-se a ir ao Bailundo encontrar-se com Savimbi, o qual, por outro lado, se recusara a ir a Luanda para ser recebido por Soares.

A escalada verbal atingiria um nível sem precedentes no ano 2000. Através de um artigo no Expresso, Mário Soares acusou o Governo angolano de graves violações dos direitos humanos na escalada da guerra e no cerceamento da liberdade de Imprensa, com realce para a prisão e julgamento do jornalista Rafael Marques por ter escrito um artigo («O Baton da Ditadura», publicado no semanário luandense Agora) considerado difamatório do Presidente José Eduardo dos Santos. A propósito, Soares enunciou detalhadamente a posição condenatória do regime angolano, em que participara como deputado do Parlamento Europeu reunido em Estrasburgo.

O ‘fait divers’ de Gama A reacção não se fez esperar, por intermédio do ministro angolano da Comunicação Social, Hendrick Vaal Neto, que acusou Mário Soares e seu filho João (na altura presidente da Câmara de Lisboa) de «beneficiarem do tráfico de diamantes feito pela UNITA», acusação logo corroborada pelo deputado angolano MacMahon.

Em Portugal, estas declarações inflamaram todos os sectores da opinião pública, pondo em confronto diversos graus de entendimento do caso e da sua gravidade. O Presidente Jorge Sampaio, regressado de uma visita á Roménia, escreveu ao seu homólogo angolano, considerando as declarações do ministro «inaceitavelmente caluniosas». Também o primeiro-ministro, António Guterres, escreveu uma carta ao Presidente angolano, dando conhecimento da mesma a Mário Soares. No entanto, a reacção do MNE Jaime Gama, que considerou o caso um ‘fait divers’, limitando-se a falar com o seu homólogo e a pedir mais contenção, suscitou um coro de críticas, inclusivamente dentro do seu próprio partido.

O assunto foi a debate na Assembleia da República, onde curiosamente a proposta aprovada não foi a do PS mas a redigida pelo Bloco de Esquerda, em que se repudiavam as palavras do ministro angolano e se manifestava solidariedade, não aos Soares, mas «a todos aqueles que em Angola lutam pela paz, pela defesa dos direitos humanos e das liberdades democráticas».

Perante as vozes inflamadas que se levantaram (Paulo Portas chegou a dizer que «Portugal está a sofrer um vexame diplomático») não faltaram também os apelos ao bom senso, por vezes com perguntas dirigidas à memória dos mais exaltados: quando a UNITA chamou «criminosos de guerra» a Almeida Santos, António Guterres, Jaime Gama e Durão Barroso, alguém tomou posição e manifestou solidariedade? Alguém se lembra da resposta do Governo de Cavaco quando Jonas Savimbi chamou «garoto» ao então ministro Durão Barroso? No auge da contenda – que se arrastou nos media semanas a fio – ouve excessos de linguagem de parte a parte. Assim, por exemplo, um tal Chicoadão referiu-se a João Soares, nas páginas do Jornal de Angola, como «um gatuno comprovado das riquezas de Angola».

Por seu turno, João Soares, numa entrevista ao semanário Expresso, classificou os dirigentes angolanos como «um bando de cleptócratas». O mesmo jornal resolveu ouvir o ex-dirigente do PS, Rui Mateus, que durante anos fora responsável pelas relações internacionais do partido e que era autor do polémico livro Memórias de um PS desconhecido. Das suas declarações, importa reter esta revelação: «Pela minha parte, o PS nunca recebeu nada, nem do MPLA nem da UNITA. O PS mantinha relações clandestinas com a UNITA, mas não por mim. Eram relações escondidas, que o dr. Soares durante muito tempo manteve confidenciais», em virtude de «não querer que isso fosse do conhecimento da Internacional Socialista, onde o movimento da UNITA não era reconhecido». Esclarecedor.

*Acácio Barradas é um jornalista português. Trabalhou em Luanda nos matutinos O Comércio e A Província de Angola e foi chefe de redacção do ABC-Diário de Angola e dos semanários Jornal do Congo e revista Notícia. Regressou a Portugal em 1968 e foi chefe de redacção do Diário Popular, Diário de Lisboa e Diário de Notícias. Actualmente, dedica-se a trabalhos de investigação histórica.

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